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Almeida
Garrett
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Acordei no outro dia
ao repicar incessante e apressurado dos sinos da
Alcáçova. Saltei da cama, fui à janela, e dei
com o mais belo, o mais grandioso, e ao mesmo
tempo mais ameno quadro em que ainda pus os meus
olhos.
No fundo de um largo vale aprazível e sereno,
está o sossegado leito do Tejo, cuja areia ruiva
e resplandecente apenas se cobre e água junto
às margens, donde se debruçam verdes e frescos
ainda os salgueiros que as ornam e defendem. De
além do rio, com os pés no píngue nateiro
daquelas terras aluviais, os ricos olivedos da
Alpiarça e Almeirim; depois a vila de D. Manuel
e a sua charneca e as suas vinhas. De aquém a
imensa planície dita do Rossio, semeada de
casas, de aldeias, de hortas, de grupos de
árvores sílvestres, de pomares. Mais para a
raiz do monte em cujo cimo estou, o pitoresco
bairro da Ribeira com as suas casas e as suas
igrejas, tão graciosas vistas daqui, a sua cruz
de Santa Iria e as memórias romanescas do seu
alfageme.
Com os olhos vagando por este quadro imenso e
formosíssimo, a imaginação tomava-me asas e
fugia pelo vago infinito das regiões ideais.
in Viagens na Minha Terra
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João Baptista da Silva Leitão de
Almeida Garrett
Escritor e político. Durante a 2ª invasão
francesa (1809), os seus pais refugiaram-se nos
Açores. Aos 16 anos matriculou-se na Faculdade
de Direito de Coimbra, tendo concluído o curso
em 1821. Regressou então a Lisboa, onde a sua
obra literária mereceu êxito imediato. Em 1823
partiu para o exílio, de onde regressou em 1826.
Voltou a partir em 1828, tendo voltado a Portugal
integrando o exército de D. Pedro. Entre 1833 e
1836, foi cônsul geral na Bélgica. Após a
Revolução de Setembro foi encarregado, por
Passos Manuel, de propor um plano para a
fundação e organização de um teatro nacional,
que veio a promover. Foi deputado (1837),
cronista-mor (1838) e par do reino (1851). Em
1851 recebeu o título de Visconde de Almeida
Garrett.
A sua obra literária é vasta e polifacetada. É
considerado, juntamente com Alexandre
Herculano, o introdutor do Romantismo em
Portugal. A tragédia Frei Luís de Sousa (1844)
é considerada a sua obra-prima.
in O Grande Livro dos Portugueses. Ed. Círculo
dos Leitores. Lisboa: 1991.
(reduzido e adaptado)
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